Poemas escritos em português, nas penitenciárias de Foz do Iguaçu, se disseminam em espanhol, em diversos sotaques, vozes e corpos, graças a poetas, ativistas e acadêmiques que fazem parte da Red Feminista Anticarcelaria de América Latina.
A seguir, apresentamos a primeira parte de uma seleção de poemas do livro, em formato bilíngue, seguidos de vídeos com a leitura dos versos em espanhol, pelos integrantes da Red Feminista Anticarcelaria de América Latina. As traduções foram realizadas coletivamente pelo Laboratório de Tradução da UNILA.
O primeiro poema, “Libras”, de Jennifer Alecrim, foi traduzido não apenas do português para o espanhol, mas também de uma língua de sinais para outra, como pode ser visto em nossos vídeos. Em um deles, o poema é interpretado pelas mãos de sua autora; em outro, pelas mãos e pela voz de Enith Martínez, do coletivo Algaraza do México.
O segundo poema, "Cicatriz", de Alexandro da Rosa, é lido por Joey Whitfield, autor do livro Prison Writing of Latin America e colaborador da coletiva Hermanas en la Sombra do México.
Em terceiro lugar, apresentamos três poemas breves: um de Patrícia Gomes e dois de Jocimar José Heck, lidos por Incendia, da coletiva Pájares entre Púas do Chile.
Finalizamos com "Levozine", de Kemylyn Rodrigues Pallas, lido por Liliana Cabrera, da coletiva YoNoFui da Argentina. A tradução do último verso do poema, no vídeo, é de sua autoria.
LIBRAS Se eu não posso falar com minha boca Se eu não posso definir um leve som Eu me valho do que Deus me deu O gesto... Eu lhe empresto minhas mãos! Meus olhos seguem teus lábios Eu escuto os teus pensamentos A gente trama um encontro na Constelação de libras longe daqui ;) Jennifer Alecrim "Libras" pelas mãos de sua autora | LIBRAS* *Lengua brasileña de señas Si yo no puedo hablar con mi boca Si yo no puedo definir un leve sonido Me valgo de lo que Dios me dio El gesto… ¡Te presto mis manos! Mis ojos siguen tus labios Escucho tus pensamientos Planeamos un encuentro en la Constelación de Libras, lejos de aquí ;) Jennifer Alecrim Enith Martínez, do colectivo Algaraza, lê "Libras" |
CICATRIZ Certo dia, eu estava na comarca, ou seja cadeia, onde vi várias pessoas fazendo tatuagem com máquinas que nunca sonhei que fosse possível fazer. Era feito com um motor de rádio, um ferrinho, um tubo de caneta e uma agulha, sem falar na tinta Xadrez preta para pintar roupa, essa era a grande máquina. Fui me aventurar a fazer a minha e, entre todas as imagens, fotos de tatuagem, nenhuma me chamou a atenção, até eu decidir tatuar o nome da minha filha, ou seja tatuar algo de sentido para mim. Fomos procurar as letras que ficassem bonitas entre inúmeras letras e formatos, achei a que eu queria, passou para meu braço as letras e começou a tatuar. No começo foi uma tortura, pois aquela máquina estava toda desregulada. Acho que de tanta dor, até o osso estava sendo tatuado. Ao término o braço estava todo inchado, mas sem arrependimento nenhum, pois uma marca ou uma cicatriz da pessoa que eu Amo estava feita no meu corpo. Alexandro da Rosa | CICATRIZ Un día, estaba en la comarca, o sea, en la cárcel, donde vi a varias personas haciéndose tatuajes con máquinas que nunca imaginé que fuera posible hacer. Eran hechas con un motor de radio, un alambrecito, un tubo de bolígrafo y una aguja, sin mencionar la tinta negra para pintar ropa; esa era la supermáquina. Me aventuré a hacerme el mío y, entre todas las imágenes y fotos de tatuajes, ninguna me llamó la atención, hasta que decidí tatuarme el nombre de mi hija, es decir, tatuarme algo que tuviera sentido para mí. Fuimos a buscar las letras que se vieran bonitas. Entre muchas letras y formatos, encontré las que quería, las pasaron a mi brazo y comenzó el tatuaje. Al principio fue una tortura, porque esa máquina estaba completamente desajustada. Tanto era el dolor, que sentía tatuado hasta el hueso. Al terminar, el brazo estaba todo hinchado, pero sin ningún arrepentimiento, porque una marca o una cicatriz de la persona que Amo estaba hecha en mi cuerpo. Alexandro da Rosa
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HAIKAIS
1.
Dia frio
noite vazia
Saudades de seu calor
Patrícia Gomes
2.
Cadeia nova
O preso bagunça
A SOE vem e estoura a bomba
Jocimar José Heck
3.
Animais correm
enquanto a floresta chora
Jocimar José Heck
HAIKUS
1.
Día frío
Noche vacía
Extraño tu calor
Patrícia Gomes
2.
Cárcel nueva
El prisionero alborota
La policía SOE viene y explota la bomba
Jocimar José Heck
3.
Animales corren
mientras la selva llora
Jocimar José Heck
LEVOZINE
É um medicamento indicado
sem seu médico ter o conhecimento
esse remédio não deve ser partido
então cuidado durante a recuperação
podendo causar problemas no coração
a quantidade pode variar também
antes de ingerir procurar ter
porém variando dependendo a idade
sempre tomar com flexibilidade
serve para o alívio de delírio,
para pacientes que se sentem ansiosos
se precisar de mais orientações
procure os médicos de plantões.
Esse medicamento é contraindicado
em caso de suspeita de dengue.
Kemylyn Rodrigues Pallas
LEVOZINE
Es un medicamento indicado
sin que su médico tenga el conocimiento.
este medicamento no debe partirse
así que tenga cuidado durante la recuperación
puede causar problemas de corazón
aunque también la cantidad puede variar
antes de ingerirlo busque tener
pero variando su uso según la edad
siempre tomarlo con flexibilidad
sirve para el alivio de alucinaciones
para pacientes que se sienten ansiosos
si necesita más orientaciones
pregunte a su médico las recomendaciones.
Este medicamento está contraindicado
en caso de sospecha de dengue.
Kemylyn Rodrigues Pallas
Agradecemos especialmente Angélica Usaquin, do Direito à Poesia, que coordenou a gravação dos vídeos da Red Feminista.
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