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Postagens

“Cela forte”, em homenagem a Luiz Alberto Mendes (1951-2020)

No Brasil, até o momento, nenhum outro escritor que tenha se   formado dentro de uma prisão alcançou um reconhecimento comparável ao de Luiz Alberto Mendes após a publicação de seu livro Memórias de um sobrevivente (2001). Esta obra foi escrita quando Luiz Alberto ainda se encontrava preso, cumprindo uma pena de mais de 80 anos. Nascido em 1952, na cidade de São Paulo, o escritor passou boa parte da sua infância e adolescência em instituições para menores infratores e aos 19 anos foi enviado para a prisão. Luiz fazia parte desses setores marginalizados da sociedade para os quais o Estado reserva, principalmente, as instituições de encarceramento. Nelas experimentou inúmeras situações de violência, mas também encontrou amizades e gestos de companheirismo. Segundo seu relato em Memórias de um sobrevivente , foi um amigo da prisão, Henrique, que lhe despertou o gosto pela literatura. Isso teria ocorrido quando os dois se encontravam em celas fortes próximas e Henrique lhe falava de...

“Amor, nossa prisão" e as oficinas por trás do curta-metragem

Conjugando poemas e relatos de internas de um cárcere feminino com técnicas de animação em stop-motion e cut-out, o curta-metragem "Amor, nossa prisão" (2016; 5min.), dirigido por Carolina Corral Paredes , da Colectiva Editorial Hermanas en la Sombra , e produzido pela Animatitlán Studios, revela a forma como algumas mulheres em privação de liberdade vivem as relações amorosas numa penitenciária do México. Em 2018, o curta foi nomeado pela Academia Mexicana de Artes y Ciencias Cinematográficas (AMACC) para o Prêmio Ariel em sua 60ª edição. Em 2017, "Amor, nossa prisão" também recebeu uma menção especial na 15ª edição do Festival Internacional de Cine Morelia (FICM) e, durante o mesmo ano, foi selecionado, entre outros festivais, para a 15ª edição do Vancouver Latin American Film Festival (VLAFF) e para a 2ª edição do Feminist Arts Film Festival (FBAFF). Curta-metragem completo com legendas em português Em entrevista concedida à rede pública de televisão mexicana, a...

Antologia Direito à Poesia, círculos de leitura e escrita na PFII

Dando continuidade à publicação anterior ( " Direito à poesia - Jeverson Lemes reescreve Alberto Pucheu que reescreve Gottfried Benn" ), apresentamos a seguir mais três poemas publicados em 2018 na “Antologia Direito à Poesia, círculos de leitura e escrita na PFII” , resultado do trabalho realizado pelo projeto Direito Poesia em uma unidade penitenciária masculina de Foz do Iguaçu.  “Fico”, escrito por Donizeti dos Santos; “Após um dia de trabalho chego em minha nova morada”, por Rafael Mendes; e “Disse disse!”, por Marlon Nunes Domeraski.   (Ilustração de Rafael Mendes do texto “ O esmagamento das gotas ”, de Julio Cortázar)   O primeiro texto resulta de oficinas nas quais foram trabalhados poemas como “Yo fui” do espanhol Luis Cernuda e a reescrita dele pela argentina Liliana Cabrera ,  documentada no filme Lunas Cautivas, de Marcia Paradiso . A discussão dessas leituras deu origem ao deslocamento temporal entre passado e presente que encontramos no primeiro...

Direito à poesia - Jeverson Lemes reescreve Alberto Pucheu que reescreve Gottfried Benn

  “É preciso aprender a ficar submerso” de Alberto Pucheu, poeta contemporâneo fluminense, pode ser lido como uma reescrita do poema “Aprèslude” (1955) de autoria de Gottfried Benn, escritor vanguardista alemão silenciado no seu próprio país durante o regime nazi, e gira em torno do tema da resistência . O poema apareceu pela primeira vez na revista Polichinelo com o título “O dia em que Gottfried Benn pegou onda”. Foi depois que a artista Danielle Fonseca realizou o vídeo “É preciso aprender a ficar submerso”, que compartilhamos abaixo, que esse passou a ser o título do poema.   Quer partamos da realidade latino-americana como um todo composto por múltiplas faces, quer nos detenhamos somente em seu contexto carcerário, não é difícil compreender o valor histórico desse tema, sobretudo em tempos de pandemia e necropolítica. Dentro e fora do cárcere, a América Latina resiste como no poema de Pucheu que ora publicamos em espanhol sob o título “El día que Gottfried Benn cogió ola...

Três poemas da antologia "Sarau Asas Abertas: Mulheres Poetas: Penitenciária Feminina da Capital"

O livro Sarau[1] Asas Abertas: Mulheres Poetas: Penitenciária Feminina da Capital é uma antologia de textos literários em diferentes línguas escritos durante os três anos em que o Sarau Asas Abertas[2] vem sendo feito na Penitenciária Feminina da Capital, em São Paulo.

Eu Fui: três reescrituras, um disparador

Como complemento da entrada anterior, compartilhamos três poemas escritos por María Ferreyra, Lidia Rios e Liliana Cabrera[1], poetas que passaram pelas oficinas de YoNoFui em Ezeiza e que hoje em dia, estando em liberdade, continuam escrevendo. Como se pode ver no documentário LunasCativas , o disparador que deu origem a esses textos foi o poema Eu fui... de Luis Cernuda, que disponibilizamos também no   final desta postagem. Os poemas de Liliana Cabrera e Lidia Rios são o resultado da proposta de que cada participante da oficina dirigida por María Medrano escrevesse seu próprio “eu fui”. O poema de María Ferreyra corresponde a uma variação da proposta anterior: já não se tratava de escrever a partir do que sugere a frase “eu fui”, mas sim da sua reformulação no sentido oposto: “não fui  eu ”.

Documentário Luas Cativas legendado para o português

Lunas Cautivas: história de poetas presas é um documentário da diretora argentina Marcia Paradiso, realizado em 2011, que disponibilizamos aqui com sua autorização expressa. As legendas em português foram realizadas pelo Laboratório de Tradução da UNILA , em 2016. Atualização de 1 de novembro de 2020 O documentário Luas Cativas  entrou no catálogo da plataforma VOD Mujeres en Cine , por esse motivo não estará mais disponível no Youtube. Se você quiser assistir o documentário com legendas em português, para fins acadêmicos ou para usar em atividades em prisões, pode nos escrever que pediremos a autorização da diretora Marcia Paradiso ou pode entrar em contato diretamente com ela. Nosso e-mail: mario.torres@unila.edu.br ; email de Marcia Paradiso: marciaparadiso@yahoo.com.ar 

Para todas nós, por María Medrano

Nota preliminar. Começamos com um texto de María Medrano por dois motivos: o primeiro é que o trabalho de María, e do coletivo YoNoFui , nas prisões de Buenos Aires teve um impacto significativo em “Direito à poesia” , um dos projetos de extensão da Unila do qual participam xs autorxs deste blog. O segundo é que o texto ilustra muito bem o valor epistemológico da prisão. A prisão nos faz ver coisas que não vemos de outros lugares de enunciação, obrigando-nos a redefinir e repensar alguns problemas. “Para todas nós” fala do potencial mobilizador de pensamentos e ações das pessoas privadas de liberdade. YoNoFui surgiu das oficinas de poesia que, a partir de 2002, María começou a dar às mulheres presas na Penitenciária de Ezeiza. Atualmente esse coletivo trabalha em projetos artísticos e produtivos dentro das prisões femininas, e fora, quando elas recuperam sua liberdade. No link a seguir é possível acessar ao texto original em espanhol: https://www.pagina12.com.ar/100509-...