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Eu Fui: três reescrituras, um disparador

Como complemento da entrada anterior, compartilhamos três poemas escritos por María Ferreyra, Lidia Rios e Liliana Cabrera[1], poetas que passaram pelas oficinas de YoNoFui em Ezeiza e que hoje em dia, estando em liberdade, continuam escrevendo. Como se pode ver no documentário LunasCativas , o disparador que deu origem a esses textos foi o poema Eu fui... de Luis Cernuda, que disponibilizamos também no   final desta postagem. Os poemas de Liliana Cabrera e Lidia Rios são o resultado da proposta de que cada participante da oficina dirigida por María Medrano escrevesse seu próprio “eu fui”. O poema de María Ferreyra corresponde a uma variação da proposta anterior: já não se tratava de escrever a partir do que sugere a frase “eu fui”, mas sim da sua reformulação no sentido oposto: “não fui  eu ”.

Para todas nós, por María Medrano

Nota preliminar. Começamos com um texto de María Medrano por dois motivos: o primeiro é que o trabalho de María, e do coletivo YoNoFui , nas prisões de Buenos Aires teve um impacto significativo em “Direito à poesia” , um dos projetos de extensão da Unila do qual participam xs autorxs deste blog. O segundo é que o texto ilustra muito bem o valor epistemológico da prisão. A prisão nos faz ver coisas que não vemos de outros lugares de enunciação, obrigando-nos a redefinir e repensar alguns problemas. “Para todas nós” fala do potencial mobilizador de pensamentos e ações das pessoas privadas de liberdade. YoNoFui surgiu das oficinas de poesia que, a partir de 2002, María começou a dar às mulheres presas na Penitenciária de Ezeiza. Atualmente esse coletivo trabalha em projetos artísticos e produtivos dentro das prisões femininas, e fora, quando elas recuperam sua liberdade. No link a seguir é possível acessar ao texto original em espanhol: https://www.pagina12.com.ar/100509-...